GVM Jan20 — Penna: As lembranças sinalizam a vida

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A vida é curta demais. Essa afirmação é contestada duramente pelo naturalista Di França, que acusa o ser humano de ser perdulário. Vejam as outras espécies, diz ele. A mosca por exemplo tem só trinta dias. Dr. Celta, que além de tudo foi coroinha, lembra que Deus nos criou à sua semelhança, portanto temos o direito de viver mais. E tem mais, a cada dia nós estamos estendendo nossa sobrevivência.

Me retirei da conversa porque é infindável. E a perspectiva da entrada de Edmundo e Mineiro na roda, transformaria o tema numa loucura que vai da dialética da natureza, aos últimos acontecimentos do Morro do Querosene. Como meu interesse é reafirmar que a vida de fato é curta, e que sempre tivemos o objetivo de ampliá-la, mesmo que ilusoriamente, e tratamos logo de picotar o tempo em horas, dias, meses e anos, para termos a sensação.

Também dividimos o tempo biológico de cada um. A infância. Os quinze anos. Os dezoito e os vinte e um anos. Para depois a maturidade. Ora, que graça conseguimos agregar ao desenvolvimento humano, com seus aniversários, com suas façanhas amorosas, e vem um chato dizendo que és um só. O mesmo que nasceu.

É tudo ilusão, sentencia o sambista. Os poetas brincam com o efêmero da vida. E nós continuamos na batalha da eternidade. Eu fico com esses que celebram as datas, que reinventam o prazer de viver. Não tem sentido a existência de outro modo. E é por isso que desejo a todos um feliz ano novo, um ano que seja muito melhor do que o que passou.

José Luiz de França Penna, presidente de honra do Centro Cultural Vila Madalena

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