GVM nov19 — Penna: O tempo e a pressa

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Reconheço que sou um bom contador de histórias, e pra ser assim sou antes de tudo um bom ouvidor. Tenho falado com muita gente sobre assuntos mais diversos. Do futebol à política. Dos dramas pessoais, financeiros ou sentimentais. Enfim, é conversando que adquiro conhecimento. Essa é a forma infalível. Mas ultimamente tenho sido surpreendido por um novo comportamento. Respostas evasivas, mudanças desconcertantes de assunto como se alguma conclusão fosse perda de tempo.

O escritor Augusto Cury recentemente escreveu sobre a síndrome do pensamento acelerado. Não sei se tem relação com o que observo, mas vai no mesmo caminho. Pensadores do mundo todo têm a preocupação na recuperação da oralidade. Chegam a sugerir um contato mais interessado com nossos índios, pois são grandes contadores de historia, capazes de conversar por dias a fio.

Não sei se esse transtorno veio depois da internet, pouco importa. O fato é que precisamos corrigir esse desvio. Estamos trocando o tempo pela pressa. Parece a mesma coisa, mas não é. Numa conversa bem conversada, há troca, criatividade, e sobre tudo conhecimento, enquanto que dessa outra forma há informações aos borbotões. Umas sobre as outras.

O tempo tem uma cadência, a pressa é arrítmica. O tempo é a produção natural, artesanal. A pressa é fordista. O tempo é democrático, a pressa fascista. E como na canção de Caetano: ”tempo tempo tempo tempo”.

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