Novo comando da Cultura

0
1275

Foto:

Nabil Bonduki

Morador da Vila Madalena há 35 anos, Nabil Bonduki deixa a Câmara dos Vereadores para assumir a Secretaria de Cultura de São Paulo e, nesta entrevista exclusiva, fala de seus projetos para a pasta.

Nabil Georges Bonduki, arquiteto, urbanista, professor livre-docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, autor de diversos livros sobre urbanismo, foi eleito vereador pelo PT em 2012 com 42.411 votos e acaba de ser nomeado pelo prefeito Fernando Haddad para assumir a Secretaria de Cultura em substituição a Juca Ferreira, que trocou São Paulo por Brasília, onde assumiu o Ministério da Cultura. 

Em 2013, foi convidado para ser secretário do prefeito Haddad e preferiu continuar seu mandato na Câmara dos Vereadores, na qual teve um papel importante como relator do Plano Diretor da cidade. “Agora aceitei o convite do prefeito porque entendi que, neste momento, é a melhor forma de contribuir com a nossa cidade”, escreveu Nabil sobre sua decisão de trocar a Câmara pela Secretaria de Cultura. Nesses dois anos de mandato como vereador, “participei da formulação, aperfeiçoamento e aprovação do Plano Diretor Estratégico, que dá rumos para a cidade nos próximos 15 anos”, diz.

A posse como secretário aconteceu no dia 3/2 na prefeitura. “Precisei finalizar alguns trabalhos na Câmara antes de tomar posse”, afirma. Para ele, a Cultura vai além dos equipamentos como teatros, bibliotecas: “Entendo a cultura de forma ampla e transversal. Precisamos ampliar o horizonte do debate cultural e acredito que minha experiência acadêmica, política e de gestão pode acrescentar muito a minha atuação. Pretendo regulamentar as áreas de produção cultural que estão previstas no Plano Diretor que acabamos de finalizar. Quero garantir os espaços culturais importantes da cidade, como é o caso dos teatros de ruas”. Um exemplo é o Teatro Brincante: ele permanece no endereço até dezembro próximo. Para Nabil, “é preciso fazer uma negociação com os proprietários para que eles aceitem manter o espaço cultural”.

O novo secretário quer dar maior impulso à produção de cinema. Ele esteve presente na criação da SPCine, empresa de cinema e audiovisual que tem a parceria do governo de São Paulo e do Ministério da Cultura e orçamento de R$ 65 milhões. A finalidade é desenvolver, financiar e implementar projetos de cinema na cidade. “Vamos transformar São Paulo em um polo de cinema. Estamos finalizando convênios de cooperação com o Canadá, lançamos editais para cineastas e vamos implantar uma rede de cinemas municipais”, promete.

A Virada Cultural, que atrai tanta gente, para Nabil “deverá ser descentralizada. Um exemplo recente foi o aniversário da cidade. Havia palcos com artistas em Pinheiros e no Centro, com a estimativa de 70 mil pessoas em ótimo astral”, avalia.

A leitura terá uma atenção especial, segundo ele. “Vamos incentivar a população a frequentar mais as 65 bibliotecas públicas da cidade. Para isso, pretendo dar maior amplitude, modernizar e atualizar os acervos e levar novas mídias para todas as unidades. Assim como as bibliotecas, teatros e CEUs, quero transformar esses equipamentos públicos em polos de cultura”.

As feiras e festas que acontecem em São Paulo não sofrerão mudanças. “São eventos muito positivos para a cidade e se inserem na nossa essência cultural. Não será a prefeitura quem vai mudar esses eventos. Para mim, esses eventos e festas, como a da Vila Madalena e a da Vila Pompeia, aqui na Zona Oeste, que fazem parte do calendário da cidade, devem ser apoiados”, afirma.

Um dos assuntos mais controvertidos é o carnaval. Os desfiles das escolas de samba no Anhembi a cada ano ganha mais sofisticação e profissionalismo e isso resulta em um aumento de turistas que vêm à cidade para curtir a festa, e movimenta a economia gerando muitos empregos. Por outro lado, os blocos carnavalescos cresceram em número e a cada ano atraem um número maior de foliões.

Para o novo secretário, “é papel da prefeitura garantir o menor incômodo possível para moradores e o evento precisa ser melhor debatido pelas partes envolvidas”. Nabil lembra que cerca de 200 dos 300 blocos carnavalescos inscritos na prefeitura estão concentrados em duas subprefeituras: Sé e Pinheiros, onde está a Vila Madalena. “Para este ano, a prefeitura, subprefeituras e várias secretarias, além da Polícia Militar e CET, estarão presentes”.

“O ideal é que os blocos carnavalescos se espalhem pela cidade e não fiquem concentrados em uma região só. Mas isso é um processo espontâneo da população. Sei de blocos que até pedem para reduzir a divulgação de seus desfiles para diminuir o fluxo de pessoas”. E sobre a opinião divergente de quem se incomoda com essa manifestação popular? “Engraçado que em São Paulo, para certa parte da população, parece ser algo negativo, mas cidades como Olinda têm essa tradição e muitos paulistanos apreciam”, comenta. Informa que serão aumentados o número de banheiros químicos e que a limpeza das ruas, com água de reúso, será feita logo após o desfile dos blocos, que não poderão ficar parados em um mesmo local e precisam obedecer a lei do silêncio.

A Vila Madalena, para ele, “tem perfil de polo de criação. Isso vai além dos bares. Precisamos garantir a manutenção desse polo criativo e a vida dos moradores do bairro”, conclui. 

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA