Drenagem: um novo conceito

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Quando se fala em drenagem linfática, a primeira imagem que vem à cabeça é de um tratamento estético usado para combater a celulite ou após uma lipoaspiração. Sim, ela é bastante eficaz neste sentido. Porém, o que pouca gente sabe, é que a drenagem linfática também pode ser uma grande aliada na reabilitação de pessoas com câncer. Ela é uma das técnicas da chamada linfoterapia, conjunto de recursos de fisioterapia que desempenha cada vez mais um papel fundamental na oncologia.
Trazida para o Brasil em 1982 pela fisioterapeuta Márcia Colliri Camargo, autora dos livros “Fisioterapia no Edema Linfático” e “Reabilitação Física no Câncer de Mama” (Editora Roca Ltda.), escritos em parceria com Ângela Gonçalves Marx, a linfoterapia é aplicada após uma cirurgia de câncer, para prevenir ou para tratar, se o paciente desenvolver linfedemas, ou seja, se houver acúmulo de líquidos em determinadas partes do corpo. Esse acúmulo de líquidos é causado geralmente quando, ao se retirar um tumor, também são retirados os gânglios linfáticos, ou linfonodos, localizados nas axilas, na virilha, no pescoço e, mais internamente, no abdômen. “Quando se tem um câncer num determinado órgão, o médico retira o tumor, uma parte do tecido que está em volta e parte dos grupos de gânglios mais próximos, porque a biópsia vai servir para que ele estabeleça o tratamento depois da cirurgia”, explica Márcia. Quando se tem um tumor de mama, por exemplo, caso seja detectado precocemente, os gânglios das axilas nem sempre estão comprometidos. Se o tumor estiver avançado, os linfonodos podem ser os primeiros a ser atingidos por células cancerígenas porque fazem parte do sistema linfático, ou seja, recebem e filtram tudo o que não serve para o organismo.
Atuando no Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC) desde 1990, Márcia esclarece que a linfoterapia ajuda a diminuir a dor e a recuperar os movimentos do paciente, proporcionando melhor qualidade de vida. O ideal é que o tratamento comece a ser feito logo após a cirurgia.
A fisioterapeuta lembra que o câncer não é a única causa do linfedema. Ele pode ser um problema congênito, pode se manifestar na infância, adolescência ou depois de um trauma, ou seja, se apresenta quando há um mau funcionamento do sistema linfático. Fazendo uma ressalva quanto à drenagem, Márcia observa que deve ser feita por um profissional que conheça anatomia, fisiologia e patologia; sempre de forma suave e superficial.
Fisioterapeuta formada há 30 anos pela USP, Márcia está cursando o segundo ano de formação em Análise Bioenergética no Instituto de Análise Bioenergérica, na Vila Madalena, onde atende pacientes de fisioterapia, drenagem linfática e RPG as segundas e quartas-feiras.

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