Ação e flores para refugiados

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Foto: Arquivo pessoal

Arquivo pessoal
Kety e a filha Gaby

Kety Shapazian e a filha Gaby têm se dedicado nos últimos anos a trabalhar em benefício dos refugiados. Elas criaram um ateliê de flores e parte do lucro é destinado a bancar as viagens e o sustento da Gaby nas áreas onde ela desenvolve ações para essas pessoas.

Tudo começou quando mãe e filha assistiam pela TV as reportagens sobre os refugiados da Síria e outros países fugindo das guerras e buscando abrigo e paz na Europa em busca de paz.

“Vendo aquelas matérias sobre os refugiados que estavam chegando à Grécia, Turquia e outros países, ficamos indignadas com aquele tratamento e eu comentei que era preciso fazer alguma coisa. Minha filha Gaby me questionou: ‘por que você não vai até lá para ajudar essas pessoas?’”, conta a jornalista e agora florista Kety Shapazian.

Pois elas foram. Mãe e filha deixaram o conforto da casa e partiram para a Grécia e por 45 dias estiveram, como voluntárias, em Lesbos prestando toda a ajuda possível aos imigrantes que lá chegavam. Apesar da ajuda de várias organizações humanitárias, os refugiados também encontraram muito preconceito de parte da população local.

Findo os 45 dias, Kety e a filha retornaram ao Brasil. “Era um trabalho muito grande e achei que tinha feito o possível. Mas para a Gaby havia muito a ser feito e ela pediu para voltar à Grécia”. Diante do desejo e a determinação da filha, decidecidiu ajudá-la. Resolvida a burocracia legal e financeira, Gaby voltou ao cenário triste dos refugiados por conta das guerras e da pobreza.

Além da Grécia Gaby já trabalhou no atendimento voluntário na Turquia. “Ela cuidou das crianças dos refugiados e nestes últimos meses ensina inglês para jovens e adolescentes que por sua vez podem ajudar a família a se comunicar melhor”, explica Kety que se preocupa com o bem estar da filha. “Claro que me preocupo mas sei que é o que ela quer fazer na vida. Mas nos falamos diariamente pelas redes sociais”. Segundo Kety, a cada retorno ao Brasil, Gaby quer ir para outro lugar para ajudar os refugiados”. Kety ressalta que embora as condições não sejam boas, “Gaby nunca deixou de ser alimentada! Há uma generosidade entre as pessoas que só quem vive a realidade deles consegue entender”.

Gerson Azevedo
Kety em seu ateliê de flores
Kety conta que recebeu críticas de familiares e amigos por expor a filha em zonas de conflito. “Gaby quis ir e eu sempre a apoiei. Esse é o desejo dela e sinto em cada reencontro que ela está mais forte e decidida a seguir esse trabalho voluntário”. A jovem voluntária não está ligada a nenhuma organização humanitária ou ONG por decisão própria. “Ela quer ser independente e assim ter mais liberdade e autonomia”. Mas Kety diz que Gaby também trabalha em ONGs e organizações como a Unesco, por exemplo. “Mas muitas vezes, os burocratas planejam ações sem conhecer o que os refugiados precisam”.

A experiência na Grécia levou Kety e Gaby a se aproximarem aqui em São Paulo de grupos de refugiados, principalmente de sírios. “Ajudamos grupos com o que podíamos. Para uma dessas famílias sírias ajudei no pré-natal, providenciamos enxoval para o bebê e levava ao médico para consultas e atendimento. E essa relação continua”, lembra a florista.

A ideia de criar a Flores para os Refugiados aconteceu em um evento para arrecadar recursos e roupas para refugiados, uma das voluntárias levou um buquê de flores. “Daí surgiu a ideia de criar um meio para gerar renda para o trabalho da Gaby com os refugiados”.

No início, Kety pensou em vender em sinais de trânsito e pelas ruas da Vila Madalena. “Criamos a marca Flores Para os Refugiados para que as pessoas entendessem o nosso propósito que ia além da venda dos buquês. Recebemos apoio de amigos e comerciantes da Vila, como A Queijaria e o Armazém da Vila do Gilberto Dimenstein. Kety conta que algumas pessoa queriam saber a razão do nome e ela contava toda a história. “E bnem sempre resultava em vendas de flores”. Por algum tempo, a Flores… ocupou um espaço na Casa Orgânica. Mas como resultado não era suficiente, decidiram partir para um ateliê de flores em um espaço na casa onde moram com uma estrutura profissional e mãe e filha são sócias do negócio.

Hoje, o Flores… atende pedidos de buquês e arranjos para todas as ocasiões, datas comemorativas ou não. Têm um plano de assinatura onde o cliente toda semana recebe novos arranjos florais criados por Kety. E também atende à empresas para eventos corporativos.

A rotina de Kety consiste em ir até a Ceagesp buscar plantas e flores para os arranjos e diz que o ideal é ter um dia para preparar as encomendas. Mas dependendo da demanda, pode atender os pedidos em algumas horas. E dependendo da distância, não cobra taxa de entrega, como a Vila Madalena, por exemplo. “Cada cliente recebe um arranjo único”, lembra.

Muitos clientes sabem do propósito do Flores… e compram e indicam para os amigos o trabalho e a proposta.

Gaby é sempre convidada para palestras e arrisca dizer que talvez um dia a filha escreva um livro para contar sua experiência.

Em fevereiro Gaby volta ao Brasil para dois meses com a família e depois volta para a Grécia. Assim como a sueca Greta Thumberg, jovens como Gaby trabalham para um mundo melhor. (GA)

Instagram – floresparaosrefugiados, Telefone 98255-6688 (Whats)

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