Os plantadores de árvore

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Foto:

Marcos, Edval e Dora na praça

A Praça Professor Haroldo Valadão,
próxima ao Fórum de Pinheiros e do Colégio Maximiliano, é uma praça
sortuda. Um grupo formado por moradores, trabalhadores e gente da Vila
e de bairros próximos à Vila Madalena está, desde 1986, plantando
árvores nativas da mata brasileira. A área, que era um descampado, foi
campo de futebol e quase virou delegacia de polícia, já ganhou muitas
árvores e agora é o refúgio de pássaros e área de lazer de muita gente.
Em
um domingo de janeiro, fomos conhecer o trabalho desse pessoal que se
reúne para plantar. Não há formalidade entre eles, todos fazem tudo. O
grupo também já efetuou essas ações em outras áreas na Vila Madalena e
outros bairros.
O artista plástico e escritor Rubens Matuck é um
deles e diz: “Queremos replantar o máximo de espécies brasileiras. Já
plantamos jequitibás, mulungus, ipês, pitangas e muito mais”. As mudas
são doadas por pessoas que já conhecem o trabalho do grupo.
DoraEle
lembra que o plantio não seria possível sem a participação de gente
como o “dedo verde” Edval da Silva, zelador de um prédio comercial
próximo à praça, que veio de Castro Alves (BA), onde foi vaqueiro e
“sempre gostou de mexer na terra”. Marcos ou José Marcos de Lima, que
faz segurança particular em residências próximas à praça, é outro elo
fundamental nesse trabalho: “Vim de Agrestina (PE) e a plantação das
árvores, além do prazer, me rendeu novos amigos”.
O sociólogo
Humberto Lago é morador da Rua Jericó e faz na praça suas corridas.
Também plantou árvores com o grupo. “Algumas das árvores na praça foram
plantadas por mim”, afirma orgulhoso. Dora, outra moradora com 30 anos
de Vila Madalena que faz parte da turma, lamenta a falta de colaboração
da Prefeitura. “Quando eles mandam alguém, é só para cortar as árvores
sem critério, sem conhecimento”.
Quatro pés de pau-brasil foram as
primeiras árvores plantadas. Como eles não podem ser cortados, foi uma
forma para ocupar a área. Algumas árvores foram plantadas como
homenagem. É o caso do mulungu, que lembra o pintor cearense Aldemir
Martins (1922-2006).
O grupo de amigos e plantadores de árvores
promete continuar a jornada pelas praças da cidade. Agora, cabe aos
frequentadores da praça zelar pela sua limpeza e conservação e deixar
que a natureza faça seu trabalho para o proveito de todos.

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