Simoninha: com DNA de artista

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Wilson Simoninha, filho mais velho do cantor Wilson Simonal (1938-2000) um dos artistas mais populares do Brasil, seguiu a carreira do pai junto com o irmão Max Castro.

Simoninha é um dos sócios da produtora S de Samba com sede na região de Pinheiros. “Eu e meu sócio Jairzinho Rodrigues [filho de outro craque da música, Jair Rodrigues] criamos a S de Samba porque queríamos um núcleo de música para criar nossos conteúdos próprios assim como oferecer nosso trabalho de músicos, arranjadores, produtores para o mercado de filmes, publicidade, teatro, shows”, explica.

“Quando criamos a S, já nascemos com um conceito muito próximo do que temos hoje. Temos nosso próprio selo, fazemos programas para TVs e também produzimos conteúdo, novos produtos e muita música. Eu e o Jairzinho nos dividimos no trabalho. Criamos trabalhos para o mercado publicitário, como por exemplo uma campanha para o Banco Itaú. Eu fico mais com a produção e o Jari na criação. Nos últimos dois anos o Jairzinho está vivendo em NY onde trabalha em novos projetos musicais”, explica Simoninha de como a S de Samba funciona.

A escolha pela região da Vila Madalena/Pinheiros para sediar a S de Samba, Simoninha explica que aconteceu por ser de fácil acesso e “tenho uma relação próxima com a zona Oeste, embora atualmente não more por aqui. O Max mora e muitas pessoas da nossa família estão na Pompeia e Perdizes”. Palmeirense fanático, Simoninha cita o Allianz Parque como um lugar onde frequenta muito e também diz frequentar “muitos restaurantes pela região que sempre vou!”. Não descarta, no futuro, voltar a morar pela região.

Também esclarece que “muita gente pensa que o meu irmão Max de Castro também seja sócio da S de Samba. Ele tem a própria produtora onde trabalha com produção musical para ele e para o mercado. Sempre estamos juntos e criamos e nos apresentamos juntos no Baile do Simonal”, um show com músicas de Wilson Simonal e os irmãos convidam alguns amigos de música para fazer parte da festa que se transforma esses bailes.

Ele conta como o Baile do Simonal surgiu. “Tudo aconteceu a partir de um DVD e um show em homenagem ao meu pai na TV Globo. Na época foram lançados livros sobre meu pai e o documentário “Simonal — Ninguém sabe o duro que dei”, de Claudio Manuel [ex-Casseta e Planeta], em 2009. O documentário foi um grande sucesso e resolvemos, eu e Max, prestar uma homenagem ao Simonal. Naquela época reunimos uns vinte artistas e produzimos o Baile do Simonal e isso nos deu uma alegria muito grande. Daí, adaptamos o show e nos apresentamos com regularidade e sempre com convidados ou apenas eu e meu irmão!”. No dia 3 de outubro passado, no Tom Brasil, os irmãos subiram ao palco acompanhados de Maria Rita, Mano Brown e Jorge Ben Jor. No repertório não faltou sucessos como “País Tropical”, “Nem Vem que Não Tem”, “Mustang Cor de Sangue”. Simonal chegou a vender mais discos do que Roberto Carlos!

Precoce na música, Simoninha começou cedo. Aos seis anos fez a voz do Cebolinha [da Turma da Mônica] em um disco. Iniciou o curso de direito mas abandonou a faculdade no último semestre. A música falou mais alto. Teve sua própria banda, a Suíte Combo, em parceria com João Marcelo Bôscoli [filho de Elis Regina e Roberto Bôscoli] e integrou a banda Zé Pretinho, do Jorge Ben Jorge. Gravou trabalhos individuais e também compôs jingles e trilhas para grandes marcas brasileiras. A carreira solo o leva a se apresentar em vários programas de TV além de parcerias com grandes nomes da música brasileira como Seu Jorge, Cláudio Zoli, entre tantos.
Sempre questionado sobre seu pai Simonal, Simoninha é tranquilo e conta “que Simonal fazia um sucesso estrondoso nos anos 1960-1970. Foi ele, Simonal, que levou os grandes espetáculos para estádios e ginásios”. Lembra também que aos 10 anos viu seu pai ser preso. Lamenta que pai tenha morrido sem receber a devida homenagem pelo que fez pela música brasileira. Não fala com mágoa ou raiva desses episódios mais doloridos da vida do Simonal. Ele trabalhou com Simonal na produção e na carreira do pai antes de iniciar a sua própria carreira.

O longa-metragem “Simonal” (direção de Leonardo Domingues, com Fabrício Boliveira/Simonal e Ísis Valverde/Tereza) lançado em 2019, retrata todos os períodos da carreira do cantor-showman que criou, juntamente com Carlos Imperial a ‘turma da pilantragem’, um estilo de vida que refletia o jeito de ser de Simonal, mais leve. Um dos maiores sucesso da carreira de Simonal, o hit “País Tropical” é considerado o maior sucesso e ainda é lembrado por muita gente que viveu aquela época. Simonal também teve programa de televisão de sucesso e se apresentou com divas da música como Elis Regina e Sarah Vaughan, entre outras. Max e Simoninha participaram do filme tanto no roteiro como na trilha sonora.

O curioso é que Simoninha conta que “muita gente ficou conhecendo o trabalho do Simonal através de mim e do Max” e disse em entrevista para a Jovem Pan, que “todos os comentários que fazem sobre meu pai eu encaro com carinho e nada me incomoda”. Ser comparado com o pai é natural, “Afinal sou um músico filho de um grande músico!” (GA)

sdesamba.com.br

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