Sexo não era guerra…

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Sexo não era guerra...

…muito menos virtual! Há algumas semanas o Congresso anda às voltas com o Marco Civil Regulatório da internet, um instrumento para estabelecer o direito à privacidade e à liberdade de expressão na rede. Confesso que sou um pouco ultrapassado com tecnologia e, por isso tenho prestado atenção em toda e qualquer notícia que possa me auxiliar a tomar posição a respeito.

O tema ganhou urgência com as denúncias de espionagem americana no Brasil, mas o problema não se limita a um abalo diplomático. A bisbilhotice é de todos com todos. Vivemos em meio a uma enxurrada de fotos de gente comendo, dormindo, namorando, viajando, no banheiro… tudo é compartilhado, um prato cheio para quem gosta de falar da vida alheia. O problema é quando essa quebra de privacidade passa dos limites e tem consequências graves. 

Todos ficamos chocados com as notícias de duas adolescentes que cometeram suicídio, pelo mesmo motivo: tiveram fotos íntimas compartilhadas. Veio à tona o termo “pornografia de revanche”, para definir aqueles vídeos ou fotos íntimas gravados quando a paixão está acima de qualquer suspeita, mas que acabam divulgados covardemente depois que o “amor” acaba. A discussão ficou latente por uns dias, mas desapareceu.

Aí surge um aplicativo para smartphones e a molecada não fala de outra coisa. É Lulu isso, Lulu aquilo. Um clube da Luluzinha virtual em que mulheres dão nota para ex-namorados, peguetes ou seja lá qual for o termo. O tal aplicativo mexeu com os brios dos machos alfa – aqueles mesmos que compartilham com os amigos as fotos íntimas alheias – que se sentiram ultrajados em ter, à revelia, suas intimidades expostas. 

É claro que não demorou muito para vir o troco: um aplicativo similar em que os homens avaliam o desempenho sexual de suas parceiras em alguns quesitos impublicáveis. Se os galanteadores de hoje em dia andam insensíveis desse jeito, coitadas das nossas mulheres. É triste ver, em plena era da informação, o ressurgimento de uma anacrônica guerra dos sexos virtual. No meu tempo, do amor livre, sexo não era guerra, muito menos virtual!

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