Vila Madalena para gringo ver

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Para Sávio Mourão Henrique, a cultura e as delícias do bairro merecem ser conhecidas por visitantes de todas as partes do mundo.

Estou há 18 anos morando na Vila Madalena. Nasci em Salvador, ainda bebê me mudei para Brasília e depois vim para cá com a minha família. Gosto muito de tudo o que encontro aqui, principalmente da efervescência cultural. É incrível como posso tomar uma cerveja com os amigos no começo da tarde, ir fazer compras em um brechó e, mais à noite conferir o trabalho de bandas que estão começando uma carreira bacana nos bares fechados da região. De tanto circular pela Vila e conhecer suas atrações, acabei me transformando em uma espécie de guia dos amigos mais próximos, que sempre me consultavam para saber quais eram as últimas novidades do bairro.
Um dia, eu e mais dois amigos decidimos juntar o nosso prazer pela arte e cultura e a nossa afinidade com a Vila Madalena e abrirmos um negócio. Embora sejamos os três biólogos, levamos a idéia a sério, partindo da premissa de criar um ponto de encontro e, ao mesmo tempo, um local de hospedagem para brasileiros e estrangeiros interessados em conhecer melhor a cidade e o bairro que tanto amamos. Depois deste papo e de muito trabalho conseguimos transformar o sonho em realidade, com a inauguração do Casa Club, em novembro de 2007. Em princípio, o espaço, localizado na Mourato Coelho, funcionou apenas como um bar. Os primeiros hóspedes começaram a ser recebidos em janeiro deste ano.

Yes, nós temos a Vila!

É muito gratificante quando conseguimos efetivamente mostrar um pouco da nossa cultura para os visitantes. Muitos chegam aqui amedrontados porque as notícias que correm pelo mundo sobre a violência em São Paulo são bastante alarmantes. Depois de algum tempo, eles começam a relaxar e a entender melhor o nosso modo de viver. Percebem que a Vila não é um bairro perigoso e que não precisam ficam o tempo todo com receio de serem assaltados. A maior delícia para mim é quando posso fazer o meu papel de guia, mostrando brechós, galerias de arte, lojas com artigos brasileiros, moda e design. Para mim a Vila tem esse cheiro de cultura que vai impregnando todos os lugares e atividades. Depois desses “tours”, muitos dos estrangeiros ficam impressionados e passam a ter uma visão diferente não apenas do bairro, como da cidade. Só no mês de março recebemos um total de 217 turistas, sendo 200 estrangeiros.
A minha idéia é de, juntamente com os meus sócios, fazer do Casa Club um espaço para trocas artísticas e culturais. Já temos shows de samba e chorinho e queremos ampliar as atividades, expondo quadros e abrangendo outras manifestações. Este foi o jeito que eu encontrei de conhecer pessoas do mundo e ao mesmo tempo, apresentar a elas o bairro que tanto me divertiu e ensinou.

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