O adeus à Hilda Bittencourt, criadora da Cisne Negro Cia. de Dança

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GVM NOV21

A fundadora da Cisne Negro Cia. de Dança, Hulda Bittencourt morreu aos 87 anos, em primeiro de novembro de 2021, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Ela deixa um grande legado para as artes cênicas.

Dois dias antes, Hulda estava no Teatro Alfa assistindo ao espetáculo “Primavera”. Fernando Guimarães, gerente de programação do Teatro Alfa estava ao seu lado quando Hulda se sentiu mal e foi levada ao hospital Albert Einstein onde ficou internada. “Ela estava superalegre, e disse que não via a hora de estar lá de novo (Teatro Alfa) quando montaríamos o [balé] O Quebra-Nozes”, disse Fernando à Folha de S. Paulo. Hulda foi sepultada no Cemitério Gethsemani em São Paulo.

Hulda Bittencourt nasceu em 28 de julho de 1934, na cidade paulista de Santa Cruz do Rio Pardo. Estudou balé com a russa Maria Olenewa, pioneira no Brasil no balé clássico e também com Vera Kumpera, tcheca e que se tornou referência da dança contemporânea no país. Em artigo publicado na Folha, em 2017, Hulda conta um pouco de sua relação com Olenewa, “Meus tempos como aluna de Olenewa foram decisivos para que eu ganhasse credibilidade e conseguisse, enfim, prosseguir minha carreira”. Como bailarina participou de vários corpos de balé, incluindo o Ballet de Cultura Artística. Como coreógrafa, Hulda, recebeu o prêmio APCA em 1984 como melhor espetáculo e melhor coreografia do ano com a montagem de “O Quebra-Nozes”.

Junto com o marido Edmundo Rodrigues Bittencourt, Hulda, fundou o Estúdio de Balé Cisne Negro que desde então formou várias gerações de bailarinas e bailarinos. Com essa escola, o casal Bittencourt abriu as portas da dança para homens bailarinos que eram discriminados por querer dançar.

A Cisne Negro Cia de Dança tem uma história dedicada à dança e é considerada uma das melhores companhias de dança contemporânea do Brasil. Nestes 44 anos de atividade, completados em abril de 2021, a Cisne Negro ultrapassou a marca de mais de 4 mil apresentações para um público estimado em 2,5 milhões de espectadores. Como diretora artística da companhia, Hulda deixou sua marca pessoal no estilo de dança e repertório que a Cisne Negro levou para palcos de todo o mundo e que rendeu diversas premiações como o Fellowship of the Royal Academy of dance of London, por seu trabalho de excelência em prol da arte da dança no Brasil e a Cisne Negro se apresentou em vários países por todo o mundo, com profissionalismo e paixão pela dança.

As filhas Daniela e Giselle seguiram os passos de dona Hulda, como carinhosamente era chamada pelos bailarinos do elenco e colegas de dança. Daniela, ou Dany Bittencourt, foi bailarina e assumiu a direção artística da Cisne Negro e Giselle se dedica à escola que atende a um público jovem e está localizada na Vila Beatriz.

Os inúmeros espetáculos encenados pela Cisne Negro demonstra a crença que “a cultura é uma ferramenta de transformação social, alimento de esperança e sonhos de muitas pessoas”, segundo o site da companhia. Entre as obras encenadas estão “Vem Dançar” – a história da dança através dos tempos, “Don Quixote e Sancho Pança, Viajando pela Dança”, uma viagem pelas danças tradicionais brasileiras, sob uma ótica contemporânea e “Baobá” obra baseada na história de O Pequeno Príncipe, uma discussão entre o Pequeno Príncipe e um Príncipe afro-brasileiro sobre a sustentabilidade do planeta. Os balés da companhia se inserem dentro do panorama contemporâneo da dança ocidental, e desde o início, sempre contou com coreógrafos inovadores.

O Quebra-Nozes
O Quebra-Nozes
“O Quebra-Nozes” apresentado em novembro teve a participação especial da bailarina Ana Botafogo e os solistas Marcio Jaqueline e Cícero Gomes, bailarinos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A temporada 2021 de O Quebra-Nozes aconteceu no Teatro Alfa. (GA)

Cisne Negro Cia. de Dança, Rua das Tabocas, 55, Telefone 3813-4966, www.cisnenegro.com.br

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