Maluco Beleza em versão impressa

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Foto: Gerson Azevedo

Gerson Azevedo
Raul Seixas, a biografia do eterno Maluco Beleza

Já se passaram 30 anos da morte de Raul Seixas, o eterno Maluco Beleza, continua a arrastar uma multidão de ‘fieis’ pelas músicas e ideias. O jornalista e escritor Jotabê Medeiros traz novidades na biografia do baiano.

Raul Seixas, ou Raulzito, nasceu em Salvador (1945) e morreu em São Paulo (1989). Garoto de classe média de Salvador teve como ídolo, o cantor Elvis Presley. O rock’n’roll foi sua primeira paixão musical e ele criou muitas canções em outros ritmos como baião, bolero, brega xote, música infantil, balada, iê-iê-iê, samba, acid rock e por aí vai. Desde adolescente, o cantor e compositor baiano queria ser um artista. E chegou lá, apesar do caminho tortuoso para atingir seu objetivo. O talento criativo de Raul era gigantesco. Teve 312 canções registradas em 26 anos de carreira e foram escritos mais de 60 livros para desvendar seus segredos.

O mais recente é a biografia “Raul Seixas Não Diga Que a Canção Está Perdida”, escrita pelo jornalista especializado em música Jotabê Medeiros, morador da Vila Madalena e publicada pela editora Todavia. Em 2017, Jotabê lançou a biografia de outro ícone da música brasileira, “Belchior, Apenas Um Rapaz Latino-Americano”, pela mesma editora que tem sede na Vila Madalena.

O baiano que depois de “passar fome por dois anos na cidade maravilhosa” teve uma carreira de sucesso. A primeira banda que Raul se uniu foi a The Panthers mas não teve o êxito desejado. Foi recusado por gravadoras e desdenhado por alguns produtores, entre eles Carlos Imperial que sugeriu que eles voltassem para a Bahia, depois de ouvir três músicas do grupo. Felizmente Raul Seixas não escutou o conselho.

Nas 416 páginas do livro, Jotabê traz fatos novos sobre a vida de Raul Seixas. Revela como algumas músicas foram compostas. Fala sobre a convivência entre ele e os vários parceiros que teve, incluindo as ex-mulheres. Entre eles, Paulo Coelho é o mais conhecido. Outro, Marcelo Nova, foi seu fiel escudeiro e o acompanhou no palco e no final da vida, também fez música em parceria com o Raulzito.

Jotabe Medeiros e livro Raul Seixas-DivPara o jornalista, “Raul Seixas suscita muito debate apaixonado. É um mito e a repercussão do livro tem sido fenomenal”. Entre tantas músicas, Jotabê tem por preferida “Você é o MDC da minha vida”.

Raul Seixas, além de ter uma grande capacidade de criar músicas de sucesso, antes do estrelato foi um competente produtor musical e andava de terno e gravata e maleta 007. Ele trabalhou com Odair José, Diana e outros artistas que ainda estão no cenário musical brasileiro e tiveram discos produzidos por Raulzito.

A virada de Raul Seixas, segundo as palavras do próprio artista, aconteceu “Depois de sair da CBS, onde ganhava 4 mil reais por mês, decidi ser Raul Seixas. Então usei, esse é o termo, aquele negócio de brilhantina, do rock, do casaco de couro, como trampolim, como uma maneira de ser conhecido. Porque eu só passei a existir depois daquela encenação, daquele teatro que eu fiz. Combinar rock com baião foi a fórmula certa para chamar a atenção, mas foi só o começo”.

Jotabê informa que “Tive o cuidado de incluir personagens secundários na vida do Raul Seixas”. Entre eles, os amigos de infância e de adolescência. Revela que Raulzito também teve encontros como o cantor e músico Mick Jagger, o líder da banda inglesa The Rolling Stones quando esteve em Salvador.

Entre esses personagens está o parceiro Paulo Coelho de muitos sucessos. O autor conta como eles se encontraram e começaram a compor juntos. E também cita o evento que resultou em dias de prisão e tortura de Paulo Coelho pelos órgãos de segurança da época.

O livro tem no final uma série de fotos e documentos sobre Raul, sua discografia completa. Recomendado para fãs ou não do Maluco Beleza – que embora genial, foi vencido pelo álcool e pelas drogas. Raul continua atual e o grito “Toca Raul!” vai ecoar por muito tempo ainda. (GA)

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