O Beco do Batman em livro de fotos

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Foto: Gerson Azevedo

Gerson Azevedo
Julio Freire Junior e seu livro sobre o Beco do Batman

Fotógrafo e morador da região, Júlio Freire Junior, imortalizou parte dos grafites do Beco do Batman em livro lançado recentemente.

São mais de 150 fotos de grafites que o fotógrafo captou pelo beco mais famoso da cidade: o Beco do Batman. “As fotos foram feitas quando ainda os carros podiam circular pelo beco! Muitos dos grafites daquela época desapareceram e deram lugar aos atuais. Mas essa é a essência dos grafites!”, lembra Júlio caminhando em uma tarde ensolarada entre camelôs que estrategicamente se instalaram em frente aos grafites e ‘dificultam’ os selfies e as fotos dos visitantes formado por escolares, grupos de turistas chineses e outras tribos que buscam um ângulo diferente para alimentar suas redes sociais.

Beco Batman-Livro-Capa-DivO livro de Júlio sobre o Beco do Batman não é a primeira obra sobre o espaço. O escritor Ovidio Mendes transformou suas observações sobre o beco no livro: ‘Beco do Batman, uma galeria de arte com poesia e sensibilidade”.

Se antes, os grafites ‘desapareciam’ por conta da chuva e do sol, hoje a dinâmica é diferente, destaca Júlio. O espaço grafitado atual pode desaparecer na próxima semana. Os grafiteiros sabem que essa é a regra. Alguns deles têm vários grafites em áreas diferentes no beco que “hoje se tornou uma atração turística para a cidade. Antes o pessoal visitava o bairro em busca dos bares e chegava ao Beco do Batman. Hoje o Beco é o primeiro lugar a ser visitado e o resto do bairro, depois”, analisa o autor em sua observação urbana.

Para Júlio, que nasceu nas cercanias do beco e aqui jogou bola, o trabalho dos grafiteiros sempre chamou sua atenção, mesmo antes de fazer da fotografia seu ofício. A história da ocupação e transformação do corredor que oculta sob nossos pés o caminho que o rio Verde faz até desaguar no rio Pinheiros. Em meados dos anos 1980, grafiteiros e pichadores começaram a pintar com spray ou outro tipo de tinta as paredes dos fundos das casas do Beco do Batman que vai da rua Medeiros de Albuquerque até a Harmonia. O outro beco, o da rua Belmiro Braga, também é grafitado mas não é tão visitado e concorrido como o do Batman.

Julio Freire Jr-Beco (22)O nome do beco teria origem a um grafite de um Batman gorducho e de sandália Havaiana, de autoria desconhecida e que já não existe mais pelas paredes do beco. O símbolo do homem-morcego resiste no alto de uma janela na confluência da rua Gonçalo Afonso com o largo do beco.

Para Júlio realizar seu trabalho, foram várias manhãs e tardes onde o fotógrafo encontrava o local deserto e buscava a luz desejada para clicar suas imagens. “Hoje isso seria mais difícil pelo número de visitantes em todos os horários”, explica com fez as fotos do livro. O grafite para Júlio “é uma arte democrática, inclusiva e inclui qualquer pessoa. A pé ou de carro, você percebe o grafite”, explica.

Os autores dos grafites que estão no livro Beco do Batman não foram identificados pelo fotógrafo. “Não fiz uma pesquisa para saber de quem é o grafite que fotografei. Alguns pela assinatura é possível saber o nome, outros, ficaram anônimos. Para chegar às fotos publicadas, foi uma escolha difícil. No final restaram 200 e depois as 150 que estão no livro.”

“Minhas impressões sobre o Beco do Batman estão nas fotos do livro.” explica. Mas o leitor não encontra apenas imagens. “Escrevi três contos – uma sueca e seu grupo de turistas, um menino e um homem e um grafiteiro e um policial – e comum a eles, o cenário onde a trama acontece: o Beco do Batman.”

O autor envereda para a ficção ao provocar o leitor com o que diria Picasso se conhecesse o Beco do Batman? E Michelangelo? Bom, Júlio imaginou as frases que alguns dos maiores artistas do mundo diriam se visitassem este local icônico da Vila Madalena: Picasso diria “Eu queria ter tido essa ideia”, enquanto o italiano Micheangelo não deixaria por menos: “Eu pintei um teto e eles as paredes! Enquanto que Jean-Michel Basquiat, que desenvolveu seu trabalho pelas ruas de Nova York, afirmaria, sem titubear: “Aqui a arte de rua chegou a seu ápice.”

A obra fotográfica “Beco do Batman” teve uma tiragem inicial de 570 exemplares e custa R$ 60. Neste momento o fotógrafo está divulgando o livro através de entrevistas, redes sociais e o boca a boca. O livro pode ser encontrado diretamente à Kotter Editorial (www.kotter.com.br), no site da Amazon ou diretamente com o autor pelo email pmm512@gmail.com. (GA)

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