Ignácio de Loyola Brandão, imortal, o cronista passeia pela Vila

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Foto: Divulgação/Letícia Gullo

Divulgação/Letícia Gullo
O escritor e agora imortal Ignácio de Loyola Brandão.

Convidado para uma entrevista, Ignácio de Loyola Brandão preferiu escrever sobre os lugares da Vila que ele frequenta.

Loyola e outros autores n'O Autor na Praça (foto/Gerson Azevedo)
Loyola e outros autores n’O Autor na Praça (foto/Gerson Azevedo)
“Desde o dia 15 de março, quando voltei do Rio de Janeiro, já eleito para a Cadeira 11 da Academia Brasileira de Letras, tenho de estender a mão a cada metro ao caminhar, como sempre fiz e farei, aqui pelas ruas de Vila Madalena e Pinheiros. Cercado de carinho por todos os lados. Sempre estive, mas agora estou mais do que nunca rodeado de emoções.

Alguém grita do outro lado da rua: “Viva o imortal”. Até há pouco me chamavam de Mestre. Ou professor. Agora, sou Imortal. Tem quem segura na minha mão pedindo: “Posso pegar um pouquinho da tua sorte?” Estendo a mão e ouço alguém emendar: “Sorte? Mas atrás da sorte tem uma carreira de 55 anos, com 45 livros publicados, e rônicas e viagens e palestras.”

Alguns sorriem, brincam: “Venha tomar uma cervejinha com os pobres mortais. Essa questão de imortalidade é complicada para os “normais”. Explico, cada vez que um acadêmico é eleito, ele faz um discurso de posse e nessa fala deve se referir a todos os que o antecederam naquela cadeira. Um pequeno estudo sobre cada um. Dai sempre serão relembrados, jamais esquecidos. Agradecem, “Agora ficou tudo claro”.

Tem quem fique admirado: “Pois não é que o senhor continua o mesmo? Igual a todos os dias? Tão importante e conversa com todo mundo, toma café na padaria CPL, ou no Little Coffee Shop, vai ao Acervo, o sebo do Josué na Artur Azevedo, mistura-se com os jovens do Underdog, o melhor hambúrguer do pedaço. Toma black chope no Vianna, onde até lançou livro e tem mesa cativa marcada por uma bela foto na parede, vai ao Cartel, joga na Lotérica da Teodoro, garimpa na praça Benedito Calixto, passa pela banca do Moreira na pra&cced il;as, suas revistas estão guardadas, almoça no Consulado Mineiro, ao lado de seu amigo Tarcisio Meira e Gloria Meneses. No restaurante Genova, da Terezinha e do João Gianesi tem mesa cativa e até faz show ao lado da filha Rita. Ali come nhoque de mandioquinha à la Vilma (a chefe), pene à Molica, fettucine bacalá, espaguete al limone e leva a neta Stella para desfrutar de um espaguete na manteiga. Não esquece nunca o Pasquale, onde também tem mesa cativíssima, adora o penne à carbonara al diavolo, ou qualquer massa al pesto. Lugar cativo também é no Martim Fierro, da Ana, a melhor empanada da cidade, mas ama a salada sucre e as carnes excelente. Habituê também do Spadaccino – que tem bela Margarita e deliciosos arancinis – faz via sacra pela Queijaria do Fernando, inebriado pelos perfumes que evolam das prateleiras. De entontecer. Não perde o sanduíche de calabresa do São Cristovão nem as pizzas do Genésio e as cervejas preta do bar do Pinguim.”

Nossa, ele deve me seguir pelas ruas. Podia também dizer que passo pelo escritório de arquitetura A Ilha, na rua Fidalga, apanho minha mulher Marcia e suas sócias Juliana e Marisa e vamos comer na Peixaria da esquina da Ignácio ou na Chef Vivi, na Girassol. No caminho passamos pela loja da Flavia Aranha, ou vamos até a Oriba ou a Auá, na Lisboa. Depois seguimos para comer os doces de Marilia Zilberstein em frente a Livraria da Vila e nesta flutuo horas entre os livros como qualquer mortal leitor”. (Ignacio de Loyola Brandão, especial para o Guia da Vila Madalena)

O autor e o novo livro
O autor e o novo livro
Loyola, 55 anos de literatura e agora imortal O araraquarense Ignácio de Loyola Brandão começou no jornalismo em 1952 na A Folha Ferroviária, escrevendo uma crítica sobre cinema, uma das suas paixões. O primeiro livro, Depois do Sol, é de contos. Em São Paulo, passou por várias redações — Planeta, Última Hora, Cláudia, Realidade, Lui, Ciência e Vida e Vogue. Entre os livros, Zero e Não verás país nenhum são dois livros importantes entre os mais de 40 títulos que publicou até agora em 55 anos de literatura. Biografias, contos, romances, viagens, crônicas e infantis. O mais rece nte é Desta terra nada vai sobrar, a não ser o vento que sopra sobre ela, pela Global. Em 2017, ao completar 80 anos, recebeu o prêmio Machado Assis pelo conjunto de sua obra. E agora em março, foi eleito por unanimidade para ocupar a cadeira número 11 da ABL. (Gerson Azevedo)

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