Famílias sem moradia

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Em março, o Guia da Vila Madalena noticiou que a favela da rua Djalma Coelho, onde vivem dezenas de famílias há cerca de 40 anos, seria desocupada. A decisão foi tomada pelo Tribunal de Alçada Civil que, em segunda instância, deu ganho de causa aos proprietários do terreno de 1600m² em novembro de 2004.
Com a determinação, cerca de 500 pessoas têm até 27 de junho para deixarem suas casas e arrumarem outra moradia se não quiserem ser despejados. Para agilizar e “humanizar” o processo de desocupação, os proprietários da área ofereceram uma indenização que varia entre 3,5 e 10 mil reais aos atuais moradores.
A proposta não foi bem vinda. Além do curto prazo, o valor é baixo. “Procurei uma casa para comprar na favela do Jaguaré, mas as que encontrei custam em média 25 mil reais. Ficarei desempregado e sem destino”, lamenta Dilton de Jesus Lima, que mora em um “sobrado” de cinco cômodos e tem um pequeno bar na favela, do qual tira o sustento da mulher e cinco filhos. Após 25 anos vivendo no local, Dilton cogita voltar para a cidade de Ruy Barbosa, BA.
Em situação semelhante está dona Helena de Jesus Teixeira, 27 anos moradora da favela. A casa de três cômodos grandes foi avaliada em 9 mil reais. Ela e o marido, motorista desempregado que vive de bicos, devem se mudar para Guarulhos até o fim do mês, onde pagarão 300 reais de aluguel enquanto constroem uma outra casa menor no terreno da família. Para comer, o casal contará com a ajuda de amigos e parentes próximos.

Retirada

No dia 1º de junho, algumas famílias já deixavam o local. “O jeito é aceitar e sair”, diziam, sem muita convicção. Os proprietários dos terrenos, que os venderam a uma construtora (que deverá construir um prédio residencial na área), adiantaram o valor de mil reais para ajudar nas despesas com a mudança. Mal os móveis e objetos pessoais eram transportados, homens derrubavam as paredes das casas. Imagina-se a pressão psicológica que o barulho das tábuas e tijolos caindo pode causar em quem ainda não tem um teto para onde ir com a família. A maioria destas pessoas, não só habita, mas trabalha e tem filhos em escolas e creches da região.
Infelizmente, como se trata de um terreno particular a subprefeitura de Pinheiros nada pode fazer em relação ao deslocamento e abrigo dessas famílias. Para o advogado dos proprietários, Murilo Corazza, não houve resistência por parte dos moradores e o acordo tratado foi justo e acima do que receberiam se optassem por vender suas casas. “Tudo está sendo acertado amigavelmente, sem precisar da força judicial. Além disso, eles estão deixando de viver em condições subumanas, com banheiros coletivos e em cubículos”, disse o advogado. Há o que questionar?

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