Projeto Lambe-Lambe

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Kátia Gomes

Com a proposta de realizar uma ação coletiva envolvendo artistas e cidadãos, tendo a xilogravura como foco de interesse e a cidade como seu contraponto, o Projeto Lambe-Lambe está em sua segunda edição. Atualmente são 35 artistas, das mais variadas procedências, inclusive vindos do Canadá, envolvidos na concepção e realização do projeto. A iniciativa é dos Ateliês Piratininga e Coringa.
Desde fevereiro foram produzidos coletivamente cerca de 7 mil cartazes em xilogravura, os quais estão sendo colados pela cidade de São Paulo, desde final de junho, especialmente em muros, tapumes de construção, imóveis abandonados, embaixo de viadutos… “Tornamos a arte acessível para as pessoas que não têm costume de ir à galerias e exposições”, diz Ernesto Bonato, artista plástico e coordenador do Ateliê Piratininga e do Projeto Lambe-Lambe. “A idéia é não invadir o que está limpo e bem cuidado”, ressalta.
A proposta do projeto é criar, em suas diversas etapas, um campo favorável para a reflexão, resgatando um meio tradicional e popular de produção gráfica propondo uma outra forma para sua utilização; ampliar a visibilidade da gravura artística utilizando recursos de comunicação simples e acessíveis; contribuir para a discussão sobre a cidade; permitir o acesso imediato, direto, gratuito e diário do grande público com a arte; promover a interação da arte com o meio-ambiente urbano (arquitetura, publicidade, veículos, objetos utilitários, etc.), ampliando as possibilidades de leitura; promover o encontro e a troca de experiências entre artistas e poetas participantes do projeto e permitir que uma mesma “exposição de arte” ocorra simultaneamente em diversos locais de São Paulo e mesmo em outras cidades, já que cada imagem produzida pode ter uma tiragem infinita de exemplares.
Ernesto destaca que o Projeto Lambe-Lambe é inteiramente financiado pelos artistas participantes. Conta apenas com o apoio informal da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb). “Vendemos alguns cartazes para repor gastos com o próprio projeto”, diz o coordenador do Lambe-Lambe, não descartando a possibilidade de futuros patrocínios, assim como novos colaboradores e interessados em desdobrar o projeto para outros campos, como escolas, por exemplo.

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