Museu da Pessoa e o registro da história de pessoas

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Museu da Pessoa, tem sede na Rua Natingui.

Em seus primeiros 25 anos de criação, o Museu da Pessoa conta com um acervo de mais de dezoito mil depoimentos de pessoas que contaram sua história de vida.

O Museu da Pessoa é um museu diferente dos museus tradicionais. Seu acervo é formado por fitas de áudio, vídeo e texto e uma coleção quase 60 mil fotos e documentos digitalizados. É mais prático visitar o museu pela internet, diretamente no computador ou smartphone.

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Karen, presidente e criadora do Museu da Pessoa (Foto/Tiago Gonçalves)

Os idealizadores do Museu da Pessoa são a historiadora carioca Karen Worcman e o escritor José Santos (que deixou de fazer parte da diretoria). “Sou idealizadora e fundadora do Museu da Pessoa. Sou historiadora, formada na Universidade Federal Fluminense, e tenho mestrado em linguística. Começamos em uma sala comercial na Rua Cardeal Arcoverde, e estar na Vila Madalena tem muito a ver com o espírito do museu, por conta da diversidade cultural da região. Na época, eu morava em Higienópolis (hoje, na Vila). Viemos para este prédio, na Rua Natingui, no ano 2000”, diz Karen.

Desde a sua fundação, em 1991, o Museu da Pessoa criou e aprimorou metodologia própria como ferramenta de desenvolvimento social e cultural de grupos, comunidade e organizações diversas. O museu acredita no poder das histórias das pessoas e é uma forma de expandir a visão do mundo pela sociedade. Desenvolve um trabalho educacional com escolas públicas e 150 organizações sociais comunitárias e voltadas para a juventude, com professores, pesquisadores e agentes. Serviu e serve de inspiração para a criação de núcleos de organizações semelhantes e desenvolveu uma técnica utilizada por inúmeros grupos sociais em outros países, como França, Portugal e França.

Karen explica que o “Museu da Pessoa já nasceu virtual, e antes da existência da internet no Brasil. A gente achava que não fazia sentido criarmos um espaço com a história pendurada nas paredes. Seria uma biblioteca, um arquivo. A ideia, desde o início, era criar uma rede onde as pessoas se conectassem com outras pessoas por meio de suas histórias e, desde então, nunca paramos de experimentar”. Na Inglaterra, conheci o National Life History Collection, que tem semelhanças. Nascemos, focando ser virtual e não temos um tema específico, além de pessoas”, completa.

Edições antigas da Feira da Vila Madalena deram início à coleta de depoimentos. “Instalamos uma cabine onde os moradores da Vila Madalena gravavam seus depoimentos”. E esses depoimentos estão disponíveis no arquivo digital do Museu da Pessoa para consulta por qualquer pessoa.

A grande maioria dos depoimentos é de brasileiros, muitos deles da Vila Madalena. “Mas temos depoimentos de portugueses, canadenses e outras nacionalidades”. Entre esses personagens que aqui deixaram seus relatos estão o educador Paulo Freire, “um dos primeiros a fazer seu depoimento”, conta Karen. Artistas como Nando Reis, atletas como Raí, Gustavo “Guga” Kuerten e Ademar Ferreira da Silva, o aventureiro e empresário Amyr Klink estão entre as personalidades. Projetos envolvendo um segmento específico, como os escritores Bartolomeu Queiroz, Tatiana Belinky, Luiz Rufatto, Marcelino Freire, Fanny Abramovich também fizeram seus depoimentos. “Mas todas as profissões estão representadas no Museu da Pessoa: zeladores, pintores, professores e até um que declarou durante a gravação &lsq uo;que esteve preso por furto de carros e que gostava de fazer isso’. Valorizamos todos os depoimentos”, ressalta Karen.

Outra fonte de depoimentos que o Museu da Pessoa vem através de redes sociais. No ano passado, receberam cerca de 400 histórias pela internet. “Muitas das histórias que nos chegam não são aproveitadas, como depoimentos de onde ‘passei as férias’ ou algo assim. Mas os que têm conteúdo de história de vida são aproveitados e incorporados ao nosso acervo digital”, afirma a presidente do museu.

Projetos de memória empresarial encomendados ao Museu da Pessoa é uma das formas de angariar recursos para a manutenção do museu, que é juridicamente uma Organização da Sociedade de Interesse Público (OSCIP). “Um dos primeiros projetos de memória que fizemos, foi para o São Paulo Futebol Clube. Fizemos também para outros clubes, como Flamengo, e empresas como Petrobras, Votorantim e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Colgate, AES-Eletropaulo… Já fizemos cerca de 200 projetos como esses. É uma vertente da economia criativa que desenvolvemos e quando nascemos não existia”, declara.

Deixar seu depoimento no Museu da Pessoa é relativamente simples e é gratuito. “Basta agendar um horário em nosso estúdio. Antes, nossa equipe recebe algumas informações e elaboramos um roteiro com dois entrevistadores e um câmera para fazer o registro. Em muitas dessas gravações, acontecem momentos de muita emoção. E se o interessado, depois da gravação, quiser, pode cancelar ou pedir para cortar certos trechos e/ou assuntos abordados por ele. E tem muita gente que faz isso. E nós fazemos os cortes ou eliminados a gravação. Não se trata de uma entrevista jornalística. Aqui, é o entrevistado que decide”, declara. Ao final do depoimento, o entrevistado recebe uma cópia da sua gravação em DVD e um diploma de participação.

O museu promove cursos abertos para públicos específicos e geral.

Museu da Pessoa, Rua Natingui, 1.100, Vila Madalena, Telefone 2144-7150, www.museudapessoa.netwww.facebook.com/museudapessoa

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