Sem ele eu pude ver

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Na esquina avenidada

um velho vende bolinhas de sabão.

                Um garoto vende globo terrestre,

                girando com a mão.

                O domínio do mundo

                nas mãos do garoto

As bolinhas de sabão desaparecem

ao redor do velho…

E o universo, num instante se reduz

à esquina.

                Girar a terra com as mãos e

                fazer planetas de sabão

                É mais que ofício.

                É oferecer aos olhos de todos

                o delírio são, dos sonhos.

                E todos os desejos, num instante, se reduzem

                à esquina.

Pegar nas mãos o mundo que nos nega.

Rodá-lo com a velocidade desejada, e

habitar um planeta que nos espera

compartilhar

velho e garoto.

O desejo mútuo da ilusão.

E a cumplicidade dos dois, se reduz

à esquina.

O farol se abre e surge um poema. Foi bom ter esquecido o celular…

pedrocosta.pira@uol.com.br

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