Feriadão aço

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Eu desconfiei logo quando recebi, na quinta-feira, véspera da greve geral, o convite para ir a praia de Guaecá. Como pode o Serjão aposentado há tanto tempo aderir a greve? Sim. Foi dele o convite e fiquei perplexo. Também no meu local de trabalho, pessoas que se locomovem habitualmente com seus carros não compareceram por adesão ou por falta de transporte coletivo? Acho que aí esta faltando um elemento a ser analisado… o prolongamento do feriado prolongado, ou para quatro dias de ócio criativo como diria Domenico di Mazzi. Aliás, tudo isso confirmado, podemos afirmar que o Brasil é a pátria desse tipo de ócio.

Liguei para o Edmundo e fui direto ao assunto: “você está em greve?”, “Eu… me tire dessa”, disse ele assustado. Estou nesse momento num bar tomando uma cervejinha, discutindo com amigos o futuro do audiovisual. Realmente em toda movimentação de rua, existia qualquer citação a esse tipo de assunto. Prova não haver engajamento. O único que se declarou em greve foi o Mineiro. Através de um telefonema consegui trocar algumas palavras com ele, discutindo o seu posicionamento e não senti muita firmeza. “O que é que muda?”, perguntei, para em seguida lhe chamar a um café no escritório da Rebouças. “Tô indo…”, sem a menor resistência. Por isso concluo que o frio foi o real motivo da sua reclusão.

Pode parecer que não gosto de greve nem de feriado prolongado. Pelo contrário. Sou fã absoluto, mas é necessário avaliar a adesão da população brasileira ao evento. Ficou muito difícil. Sobraram dúvidas. Nosso povo é campeão em escamotear suas atitudes. Vou continuar pesquisando, mas não posso esconder que curti esse feriadão aço.

José Luiz de França Penna, Presidente de Honra do Centro Cultural Vila Madalena

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