Renascer das cinzas

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Estamos na quaresma. Contritos como deve ser. Sem beber, sem perder noite, enfim nenhum pecado à vista. Também pudera, depois de embalar o carnaval mais frenético que a pauliceia já viu, não temos gás pra nada. É hora de recuperar o tino, e em alguns casos, como a cara esborrachada do Mineiro que ao fazer uma impossível evolução lambeu o asfalto, tratar as cicatrizes. Tenho dúvidas de ser um tempo suficiente. Até o sábado de Aleluia dará? A questão, portanto, é vivê-lo intensamente.

Mas esse momento não pode impedir uma avaliação dos dias momescos. Como precisávamos desse carnaval para exorcizar o baixo astral que nos asfixiava. Tanta noticia ruim. Tanto ladrão e tanta violência, e a nossa impaciência precisava dessa explosão. Chegamos ao ponto de nos insurgir contra o politicamente correto e fizemos de algumas velhas marchinhas, como “Maria Sapatão”, as mais cantadas. Valia tudo, contanto que rompêssemos a triste sequencia. A Vila lotada de jovens. Azaração de sempre.

Tenho a esperança que essa postura permaneça para enfrentarmos o Brasil real. Essa dura realidade precisa ser encarada por esse espírito. Detesto o País quedado. Não é nosso perfil. Veja a genialidade das escolas de samba, criação do nosso povo altivo. A irreverência dos blocos nas ruas com multidões encantadas. É assim que deveremos renascer das cinzas. “Que grilo é esse. Vou embarcar nessa onda.”

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