Somos o que comemos

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Gilberto Bassetto Júnior, químico, eco-chef, terapeuta Ayurveda e palestrante na empresa Casa de Tulasi, na Vila, e também professor de preparações terapêuticas do Ayuveda, fala sobre a importância da alimentação bem natural.

Não é novidade para ninguém que a sociedade atual se desconectou completamente da natureza e está adoecendo. Na alimentação, por exemplo, isso fica claro com as montanhas de ofertas de produtos industrializados repletos de conservantes e químicas diversas nas gôndolas dos supermercados, em detrimento das bem menores ofertas de frutas, verduras e legumes nas sessões específicas. Segundo o químico, eco-chef e terapeuta Gilberto Bassetto Júnior, tudo isso começou com a chamada “Revolução Verde”, nos idos anos de 1960. “Nos tempos da ditadura militar (entre 1964 e 1985), passamos por esta revolução que, com a fragilidade de nosso governo, além da fragilidade cultural e educacional pelas quais ainda enfrentamos, outros países mais fortes conseguiram introduzir tecnologias de bioquímica e biotecnologia, uso de agrotóxicos e medicamentos em larga escala. A população, por sua vez, não foi instruída a usar sabiamente essa tecnologia, passando a acreditar que  seu uso, até indiscriminado, era benéfico e necessário. Aos poucos, esse grande negócio, que é o agronegócio, conseguiu se desenvolver e prosperar por aqui, com o uso de tecnologias que não são favoráveis à vida, muito pelo contrário: o uso desmedido de agrotóxicos, de fertilizantes químicos, em  extensas áreas disponíveis em nossos solos acabou resultando em seu empobrecimento e em doenças, que têm grandes impactos para a saúde humana”, ensina.

Gilberto diz ainda que a saída de um país mais rural para um país mais urbano fez com que as pessoas negligenciassem muito a sua alimentação. “A vida corrida faz com que hoje ninguém mais tenha tempo para sentar e comer, ou escolher melhor seus alimentos… a maioria corre para bares, botecos, restaurantes, fast food, ou microondas na hora do almoço, sem que ninguém pare mais para pensar que seu corpo e sua vida são absolutamente construídos com os nutrientes que tiramos da alimentação. Hoje brinco que no Ensino Médio, por exemplo, – onde dou aulas de química e meio ambiente e onde os alunos estudam três anos de biologia e química, até coisas complicadas da fisiologia, anatomia de todas as espécies –, nem outro professor ensina nada sobre alimentação. Ninguém encara as questões dos agrotóxicos e transgênicos como problema. Os livros, inclusive, até fazem o contrário e descrevem a transgenia como benéfica. O que é uma falácia! Eu, como cientista, vejo com dor que esse amontoado de conhecimento científico que hoje temos, serve apenas para continuarmos achando que os transgênicos e agrotóxicos são benéficos, principalmente porque boa parte da produção agrícola se utiliza deles. Será que ninguém está estudando técnicas mais naturais, como um organismo que pode impedir pragas de determinada plantação, por exemplo? Como se contrapor a uma indústria riquíssima que se une a governos fragilizados e finalmente mudar esse quadro?”, questiona. Ele ressalta que em outras partes do mundo, e ainda timidamente no Brasil, a agricultura biológica, ou orgânica, tem conseguido se firmar como uma das melhores opções para a saúde e para o meio ambiente. “Muitos dos princípios ativos proibidos em países desenvolvidos, como a Alemanha, ainda estão liberados em nosso país. Aqui, o que estamos vendo é que a mentira da “Revolução Verde” começa a cair por terra bem aos poucos, e eu acredito que isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde”, diz.

Para Gilberto, as atuais doenças que atingem a população humana, como: síndromes metabólicas, diabetes, esclerose múltipa, triglicérides alta, Alzheimer, doenças de pele, câncer, etc… e até desequilíbrios de comportamento (tda, tdah, entre outros transtornos), não podem nunca ser encaradas como “normais”. “Dados estatísticos mostram que as doenças estão diretamente ligadas ao ambiente, principalmente porque a água, o ar, o solo e a alimentação estão comprometidos com toxinas, metais pesados, resíduos de agrotóxicos… o estado de São Paulo é o segundo consumidor de agrotóxicos do Brasil (ele consome 18% do total), seguido de Mato Grosso com 20% do total… mas como São Paulo é menor que o outro estado, acabamos consumindo ainda mais por área…, por isso as doenças são mais prevalentes aqui”, revela.

Para solucionar todo este problema, Gilberto aponta que é preciso fazer um trabalho individual, de formiguinha mesmo, começando por prestar mais atenção aos alimentos que se leva para a mesa, afinal, ninguém quer o mal próprio ou de seus familiares. Um velho ditado que diz “somos o que comemos”, pode ser um dos orientadores para que mais e mais pessoas comprem seu alimento de produtores orgânicos locais, ou que comecem a ter uma pequena horta em casa. Outro ponto importante para melhorar a saúde é utilizarmos medicamentos apenas quando absolutamente necessário… “chegamos a um ponto da farmácia ser um dos estabelecimentos mais visitados pela população. A tecnologia deve ser utilizada sabiamente, não abusivamente como vemos hoje”, acrescenta.

Para finalizar, o químico propõe uma pausa desse mundo louco, além de uma alimentação mais natural, com o objetivo de nos reconectarmos com quem realmente somos. Uma viagem para fora, ou para dentro (fazendo meditação, dieta de sucos verdes, alimentação isenta de carnes…), reservarmos um tempo só para nós, ou contemplarmos as maravilhas da natureza – mesmo que seja no próprio ambiente –, nos voltarmos à jardinagem, ao cuidado com o corpo, ao cuidado com os animais, entre outras coisas tão simples, mas tão esquecidas pela maioria. Que tal usarmos este intervalo de final de ano para recomeçar?! Pense nisso. (ND)

Gilberto Bassetto Júnior
Casa de Tulasi
Rua Fradique Coutinho, 774
Vila Madalena
Telefone 98396-5145
www.casadetulasi.com

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