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Paulo Alves: extração planejada

Moderno, criativo, boa-pinta e premiado. Resumir um perfil de identidade de Paulo Alves merece um estudo. É arquiteto formado pela USP de São Carlos e designer. No início da carreira trabalhou no escritório de Lina Bo Bardi, a arquiteta responsável pelo projeto de um dos museus de arte mais importante do país, o MASP, na Avenida Paulista. Também participou de outras obras importantes como a revitalização do Palácio das Indústrias, no Parque D. Pedro, na região central da cidade.
Em 2004, criou a Marcenaria São Paulo para tornar as suas ideias em peças palpáveis e admiradas. As premiações são apenas as consequências desse trabalho. O reconhecimento artístico ultrapassa os limites dos projetos de arquitetura e se instalam no arrojo dos móveis. Enquanto uma parte do mundo valoriza as madeiras nobres, Paulo faz o caminho contrário arrebanhando um público consoante a um conceito: valorizar o que tem pouco valor de mercado assumindo a prática de sustentabilidade. “A ideia é usar as diversidades de madeira que existe e obedecer a uma técnica de exploração”, defende Paulo Alves.
Nessa linha, os móveis criados pelo designer imprimem beleza, versatilidade e, diferente de outros estilos que valorizam madeiras nobres, as peças são leves e remetem à originalidade do seu formato: estantes lembram florestas, cadeiras inspiradas nos galhos de árvores, banquetas que se parecem com pedras. A natureza nunca perde a vez nas criações do artista.
É o caso da Cadeira Atibaia, uma das peças vencedoras do Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira, em 2009, na categoria Mobiliário, criada em parceria com o designer Luis Suzuki, que usou a madeira Secondatia Floribunda, popularmente conhecida como Catuaba.  Com um trabalho reconhecido pela a elegância das peças, Paulo Alves diz que trabalha com madeira certificada extraída pela técnica do manejo florestal sustentável, que divide uma área nativa em partes iguais e explora uma delas de cada vez, respeitando o restante do terreno. “Quando chega o momento de explorar novamente aquele primeiro lote, já houve tempo do reflorestamento”, explica.

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